Multipli(cidade)

Andar por São Paulo é sempre descobrir um mundo novo. Talvez porque a própria São Paulo seja um mundo: As ruas carregam uma diversidade que não se vê até mesmo em grandes países, a arquitetura se mistura em todos os estilos, cada esquina abriga o restaurante de uma região diferente do globo e qualquer tipo de tribo tem o seu espaço.

A metrópole abriga uma multiplicidade que ao mesmo tempo fascina e angustia. Fascina a luz da manhã batendo nos altos prédios nas grandes avenidas, a madrugada agitada, o passo rápido, a oferta de cultura, a arte nas ruas, os grafites nos muros, o encontro praticamente diário com o inusitado e a loucura completa de só quem vive na cidade compreende. Angustia a indiferença, a desigualdade, a insignificância diante da magnitude, as buzinas incessantes de carros, o estresse constante, a ameaça de violência por todos os cantos e a péssima qualidade do ar que se respira.

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São Paulo é o eterno “Fico ou saio?”. É desejar fugir do caos, da correria, das horas parado no trânsito e, ainda assim, ser totalmente incapaz de partir. Por que existe algo na “cidade da garoa”, que já quase não é mais da garoa, que a faz amada. Lar de migrantes e imigrantes, que decidiram trazer as raízes para a cidade, “Sampa” acabou por criar um grande laço com seus habitantes. Virou casa para centenas, milhares, milhões de sonhadores que buscavam “mais oportunidades” e promessas de um futuro próspero.

Não sei… para mim, nascida e criada aqui e filha de dois pernambucanos arretados, o amor por São Paulo foi bem cultivado através dos anos, mas é inegável a absoluta vontade de sair que já me atingiu diversas vezes. Já ensaiei mudar para qualquer outro lugar, já ouvi diversas vezes dos meus pais que queriam voltar para a “terrinha”, porém, tudo sempre acaba em “Mas São Paulo é tão bom!” e a vontade de ficar só aumenta.

Enfim, a capital paulista é uma personagem e tanto. SP é gigante: em tamanho, em população, em densidade demográfica, em filas, em carros, em caos, em faces, em ansiedade, em charme, em diversidade, em apego, em laços e em amor. É impossível reduzi-la a um pedaço de papel, a alguns mil caracteres, a meras palavras… São Paulo é um pouquinho de seus quase 20 milhões de habitantes e mais um pouquinho, é a contradição e o conflito andando de mãos dadas, é um jogo de antíteses e um bilhão de metáforas, que constroem um poema que fala diretamente ao coração dos paulistanos (e não paulistanos) que habitam essa cidade maluca. Por isso é tão difícil traduzi-la, mas tão fácil amá-la.

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